Durante a idade Média o espantoso poder alcançado pelos papas sobre os reis da terra continuou a crescer. Gregório VI (1045-1046) havia declarado que o papa exigia cega obediência a cada palavra sua, mesmo dos soberanos. Alexandre II (1061-1073), a conselho do grande Hildebrando (mais tarde Gregório VII), proclamou um decreto declarando Haroldo, o legal Rei da Inglaterra, como usurpador, e excomungou os seus seguidores. O papa decretou que Guilherme, Duque da Normândia, era o detentor legal da coroa inglesa.
Com a bênção do papa, Guilherme, o Conquistador, matou Haroldo em batalha, tomou a Inglaterra e foi coroado em Londres no Dia de Natal de 1066. William aceitou a coroa “em nome da Santa Sé de Roma”. Foi um novo trunfo para o papado e aumentou grandemente a influência católica romana na Inglaterra. Freeman, em A Conquista Normanda, explica o aranjo: William foi autorizado (pelo papa) a avançar como um vindicador do céu. A ele foi exigido que ensinasse o povo inglês a “devida obediência ao Vigário de Cristo” e o que o papado nunca esquece, “assegurar um pagamento mais pontual dos deveres temporais ao seu apóstolo”.
Em 1155 o Papa Adriano IV deu a coroa da Irlanda ao rei da Inglaterra. Assim, por sua autoridade como “Vigário de Cristo”, ele sujeitou a Irlanda ao governo inglês e entregou “o povo pacífico e cristão da Irlanda às crueldades sem misericórdia de Henrique II sobre a terra que era uma porção do “patrimônio de S. Pedro e da Santa Igreja Católica Romana”. Os papas subseqüentes confirmaram esse decreto.
Durante o tempo em que a Inglaterra permaneceu católica o arranjo foi tolerável. Mas quando a Inglaterra se tornou protestante, seu contínuo controle da Irlanda católica e a perseguição protestante dos católicos, plantaram as sementes de um problema que ainda hoje continua. Conquanto a Irlanda católica tenha muitos problemas legítimos e complexos demais para serem aqui relatados, ela precisa lembrar-se de que foram, acima de tudo, os papas católicos romanos que deram a Irlanda para a Inglaterra, em primeiro lugar. Todas as guerras e revoluções do planeta têm sempre o dedo do Vaticano pelo meio...
De fato, os papas deviam ser censurados também por muitos dos julgamentos e tribulações da Inglaterra [e de todos países do mundo, em todos os tempos]. Os pontífices romanos tratavam “os seus reis (como) vassalos, e seu povo como sem direito algum a qualquer valor, sempre que se apresentassem em conflito com exigências do papado... O clero católico, como emissário do papa, governava a Inglaterra, desobedecendo as leis da terra, como se os papas fossem os soberanos do país. As cortes civis não tinham jurisdição sobre os padres”. Thompson explica:
Era impossível enumerar ... as violências extremas e as enormidades praticadas na Inglaterra, durante este período sombrio, pelos reis e papas, que consideravam a asserção de qualquer único direito popular como se fosse crime o qual Deus os mandava punir. Mais de uma centena de assassinatos foi cometida por eclesiásticos durante o reinado de Henrique II, pelos quais as partes nem mesmo eram punidas...
O clero tinha poder absoluto sobre os seus corpos, e nenhum apelo era permitido por suas decisões. Um leigo perdia sua vida pelo crime de assassinato, mas um eclesiástico ficava impune. Isso era classificado como uma das imunidades eclesiásticas! (Quando o rei tentou mudar a lei de tratar com o clero) o papa recusou sua sanção e a denunciou como “prejudicial à Igreja e destrutiva aos seus privilégios”.
O Papa Gregório VII (1073-1085)
Antes de se tornar papa, como o famoso Hildebrando, Gregório VII foi o gênio manipulador por trás de cinco outros papas, inclusive de Alexandre II. Gregório iniciou seu pontificado “asseverando o direito de dispor dos reinos, imitando o exemplo seguido pelo Papa Gregório I (o Grande), aproximadamente 400 anos antes”. Ele declarou que o poder de “ligar e desligar” concedido por Cristo a Pedro dera aos papas “o poder de fazer e desfazer reis, construir e reconstruir governos, livrar-se de todos os que desobedecessem em todo o território por eles dominados e dispor deles para os que se sujeitassem à autoridade papal”. Será que ele não havia lido Apocalipse 17:18?
Gregório foi o primeiro papa que literalmente destronou reis. Se decidisse depor o imperador alemão, Gregório diria simplesmente “a mim me é dado o poder de ligar e desligar na terra e no céu”. Se pusesse o coração em alguma propriedade pertencente a outros, Gregório declarava simplesmente, como ele o fez em seu Sínodo Romano de 1080: “Desejamos mostrar ao mundo que podemos dar ou tirar, à vontade, reinados, ducados, condados, em uma palavra, a possessão de todos os homens; porque podemos ligar e desligar”.
Imagine, por exemplo, em 1077, o humilhado Henrique IV, suprema cabeça do Sacro Império Romano, e herdeiro de Carlos Magno (a quem o papa Leão III havia coroado Imperador em 800), cruzando os Alpes e sendo forçado a esperar, em penitência, de pés descalços, vestido de roupa feita de cabelo, na neve, fora do castelo de Canossa, a fim de pedir paz a Gregório VII! Afirmando ser o “Reis dos reis”, Gregório, em razão da disputa com Henrique, havia declarado: “Da parte de Deus Onipotente, proíbo Henrique de governar os reinos da Itália e Alemanha. Absolvo todos os súditos de todos os pactos que tenham feito e excomungo cada pessoa que o servir como rei”. Henrique não tinha como se defender contra a super-arma dos papas.
Assim ficou estabelecida aquela magnificente “meretriz” retratada por João em Apocalipse 17 - com o quartel general localizado na cidade sobre sete colinas (verso 9) e a qual “reina sobre os reis da terra” (verso 18). Um historiador do século 18 contou 95 papas que afirmaram ter o poder divino de depor os reis. (12) Não existe outra cidade que preencha estes critérios na visão de João. A visão de João tem sido notavelmente precisa.
Os papas de Roma são todos iguais. Só pensam em manipular o mundo, acumulando riquezas espantosas e dominando todos os povos, através dos seus governantes. A corrupção moral, política, econômica e religiosa tem sido a marca registrada de Roma, segundo nos mostram os historiadores modernos.
Mary Schultze, abril 2005.
Anotações das páginas 234/236 do livro (por mim traduzido)
“A Mulher Montada na Besta”, de Dave Hunt.

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