segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O testemunho do Apóstolo Paulosobre a divindade de Jesus Cristo

 Na apresentação do testemunho que o Novo Testamento dá sobre a divindade de Jesus Cristo, só tratamos, até agora, dos evangelhos. Contudo, é necessário considerar outros livros do Novo Testamento, especialmente as epístolas do Apóstolo Paulo.         A razão pela qual essas epístolas são importantes é que, em conexão com elas, temos um terreno comum com os que negam a divindade de Cristo, opondo-se ao Cristianismo. Hoje em dia, praticamente todos os críticos sérios admitem que as principais epístolas de Paulo foram, realmente, escritas pelo homem que as assina como sendo o seu autor.         No caso dos quatro evangelhos não é fácil encontrar um terreno comum com os nossos oponentes; porém, mesmo assim, não desistimos completamente da esperança de encontrá-lo. Desejamos esclarecer que existe uma certa quantidade de concordância, até mesmo com referência aos evangelhos, entre os que são e os que não são amigos do Cristianismo.         Por exemplo, é universalmente admitido por historiadores sérios que a descrição de Jesus nos quatro evangelhos é a de uma pessoa real e histórica. E, a partir desta admissão, alguma concordância sempre é possível, embora não sendo muito ampla.         Particularmente, existem discordâncias com respeito às questões do que é conhecido como “crítica literária”. A discordância é sobre a autoria, a data e o valor histórico de cada um dos evangelhos. Portanto, se vamos começar admitindo que cada um desses evangelhos foiescrito exatamente pelo homem cujo nome está a ele conectado, conforme a opinião da igreja, seremos acusados, imediatamente, de começar uma disputa com os nossos oponentes neste campo.         Estou querendo defender a visão tradicional por achar que ela precisa ser defendida. Quer seja correta ou incorreta, a visão tradicional da autoria dos evangelhos tem sido disputada pelos cépticos modernos. Por outro lado, no que se refere às epístolas de Paulo esta disputa não existe. Até mesmo os críticos mais cépticos - exceto alguns extremistas, sem influência alguma no pensamento moderno - admitem que as principais epístolas de Paulo foram, realmente, escritas por ele, na primeira geração da igreja cristã.         De fato, esta admissão é muito importante e tão importante que deveria ser usada no esforço de levar os homens que a mantêm a aceitarem as palavras de Jesus Cristo. Observem que não estamos desprezando esses oponentes, mas apenas nos preocupando com o destino eterno de suas almas, tentando ajudá-los. Tendo conhecido as misérias da vida, ansiamos por ajudar os outros em suas dúvidas. Por isso, agrada-nos encontrar com esses oponentes um terreno comum, no qual possamos debater sobre o que discordamos. Por isso, é muito bom que os amigos e os inimigos do Cristianismo concordem em que as principais epístolas de Paulo foram, realmente, escritas por ele.         O homem, Paulo, que escreveu estas epístolas foi um contemporâneo de Jesus. Isso pode ser visto nas próprias epístolas, tanto que em Gálatas, Paulo afirma ter-se encontrado com Tiago, pouco tempo após a morte do Senhor. Paulo teve muitas oportunidades de conhecer os fatos sobre Jesus. Ele passou 15 dias, conforme diz, com Pedro, que era do círculo íntimo de Jesus, e com Tiago, o irmão de Jesus. O contato com esses homens também foi feito na conferência em Jerusalém, conforme está escrito em Gálatas 2, e mais tarde com João, o qual, como Barnabé e Silas, também eram do círculo íntimo do Senhor e vieram da igreja primitiva em Jerusalém, tendo se juntado a Paulo por longos períodos de tempo, nas viagens missionárias. E, conquanto possa haver objeção sobre o nosso conhecimento de sua conexão inicial com a igreja de Jerusalém, como vinda apenas do Livro de Atos e não das suas epístolas, a base histórica ainda nos oferece detalhes concretos no Livro de Atos, os quais são aceitos até mesmo pela maioria dos críticos.         De qualquer modo, está perfeitamente claro, em vista de todas as condições da vida de Paulo, que ele teve abundantes contatos com os que haviam conhecido Jesus pessoalmente, quando Ele esteve aqui na Terra. Por isso, o testemunho de Paulo sobre Jesus tem enorme importância para todo historiador cuidadoso que esteja interessado no início da igreja cristã. Muito importante para nós  é, portanto, indagar sobre o que Paulo achava sobre Jesus. A resposta a esta pergunta  é muito surpreendente para qualquer pessoa que se aproxime do assunto com comuns analogias em sua mente, pois fica imediatamente claro que Paulo considerava Jesus como uma pessoa sobrenatural e se comportava diante dEle do mesmo modo como uma pessoa se comporta diante de Deus. A verdade é que ele fala de Jesus como um homem, mas quando o faz, é de um modo extraordinário, como não O considerando apenas um homem. O que fica em destaque quando Paulo fala de Jesus é que ele O separa claramente de um homem comum, colocando-O em pé de igualdade com Deus.         No início da Epístola aos Gálatas, Paulo escreve: “PAULO, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)... Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”.  (Gálatas 1:1, 11-12).         O homem é uma coisa, Cristo é outra. Jesus Cristo é colocado, como Deus, acima de todos os homens, tendo se assentado à destra de Deus Pai. Poderia haver um testemunho mais claro sobre a divindade de Jesus Cristo?         Em Romanos 9:5, Paulo aplica a Jesus a palavra grega traduzida por “Deus”: “... Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém”.            Algumas tentativas têm sido feitas no sentido de evitar que a palavra “Deus”, nesta passagem, se refira a Cristo, porém sem sucesso algum. Conforme a perfeita construção das palavras, fica patente a todo leitor que aqui Paulo chama Jesus de “Deus”.         É verdade que ele, geralmente, não aplica esse título a Jesus, mas aplica outro termo que tem a mesma significação: “Senhor”. Esta palavra era comumente usada quando se referia a um dono de escravos ou coisa assim. Mas, também tinha um amplo emprego religioso e, o que é por demais importante, ela foi usada no Velho Testamento (que era a Bíblia de Paulo) traduzida como “Jeová”, o nome mais santo na aliança de Deus com Israel. E Paulo não hesitou em aplicar a Jesus as passagens do Velho Testamento que tratam de Jeová.         Tendo em vista a elevada significação da palavra “Senhor”, o Dr. B. B. Warfield certamente é justificado, quando sugere que o título “Senhor” pode ser designado como o nome trinitariano dado por Paulo a Jesus Cristo (1). Paulo ensina a doutrina da Trindade - apenas destacando que usa uma terminologia diferente daquela à qual estamos habituados. Em vez de falar “Deus Pai”, “Deus Filho” e “Deus o Espírito Santo”, ele ensina exatamente a doutrina da Trindade incluída na doutrina da divindade de Cristo.         Tomem, por exemplo, a maneira como Paulo fala de Cristo, na abertura de todas as suas epístolas. Ele diz: “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo”. (2). Estas palavras, em geral, causam pouca impressão às nossas mentes. Passamos por elas quase sem perceber. Isso porque temos nos acostumado às mesmas. Elas  sempre aparecem nas epístolas de Paulo, simplesmente porque estão em total acordo com tudo que ele diz sobre  Cristo, em toda parte. Elas são por si mesmas extraordinárias!         Imaginem se elas fossem aplicadas a qualquer outro homem que já tenha existido - digamos, ao maior dos reformadores ou ao maior santo entre os santos, como por exemplo:“Graça e paz da parte de
Deus Pai e de Martinho Lutero...?” ou até mesmo do apóstolo amado - João - não seria visto, imediatamente, como uma tremenda blasfêmia?         Contudo,  não se trata de uma blasfêmia quando ela se refere a Jesus Cristo, conforme Gálatas 1:3: “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo”. E por que? Por uma simples razão... Porque Jesus Cristo é Deus! E sendo Deus, e somente por esta razão, Ele pode ser citado junto com Deus Pai, desta maneira estupenda, ficando, assim, separado que tudo que foi criado no universo.         A razão  por que nunca destacamos estas palavras no início das epístolas de Paulo é porque elas concordam com tudo que ele escreve. E se não nos empolgamos com a maneira enaltecedora que ele usa sobre Jesus é porque tudo que ele escreve sobre Cristo é igualmente elevado.         Vejamos algo mais sobre a maneira pela qual Paulo ensina a divindade de Cristo. É que o seu ensino não se limita a esta passagem, mas a muitas outras, nas quais ele dá honra e glória ao Senhor Jesus Cristo - sendo estas muito numerosas.         Além disso, Paulo atesta a divindade de Cristo também em sua maneira de viver. A que se assemelhava a religião de Paulo? Devemos ser capazes de responder esta pergunta. Alguém já disse que Paulo foi  o maior homem que existiu na antiguidade. Em suas epístolas, ele desnuda o seu coração aos leitores. Ele não foi um mestre acadêmico, mas um homem de carne e sangue, tendo-nos feito conhecer os seus anseios mais íntimos. Claro que os anseios mais íntimos de sua vida estavam no seu Cristianismo e nunca houve um homem mais cristão do que Paulo. Sua religião consistia na fé em Jesus, do mesmo modo como Jesus tinha fé em Deus? Ora, Cristo não era para Paulo simplesmente um exemplo de fé, mas o exato objeto de sua fé.         Jesus não era apenas um homem que havia recebido uma filiação divina, o qual inspirava outros homens a também consegui-la? Pelo menos alguns tentam ver as coisas desta maneira. Fazem isso porque fecham os olhos às evidências contidas nos documentos de onde derivamos nossas informações. Quem fecha os olhos e constrói uma ideia a respeito de Paulo, conforme sua própria mente, pode achar que este grande homem era apenas um  seguidor da religião de Jesus, uma imitação do que Jesus havia sido, num esforço para ter o mesmo tipo da fé que Jesus havia tido em Deus. Porém , quando se permite concentrar-se, por alguns momentos, no conhecimento dos fatos, o homem vai descobrir que a religião de Paulo não era apenas uma imitação da fé que Jesus tinha em  Deus, mas, na realidade, sua religião era a fé que Paulo tinha em Jesus. Isso porque para ele, segundo já antes afirmamos, Jesus não era apenas um exemplo de fé, mas o objeto de sua fé. A posição de Paulo diante de Jesus não era a de um discípulo diante do seu mestre, mas a de um homem diante do seu Deus.         A divindade de Jesus era o alicerce da vida de Paulo. Para ele, Cristo existiu desde toda a eternidade, sendo Aquele por Quem tudo foi criado. Cristo veio a este mundo como os outros homens, porém num ato voluntário, num ato de extrema condescendência, num ato de amor. Não se tratava apenas de um martírio, mas de um acontecimento com uma significação cósmica. Isto significava a redenção da maldição e da ira de Deus contra uma grande multidão de pessoas de todas as nações do mundo. Após Sua morte, Cristo ressuscitou dos mortos e foi exaltado à destra de Deus Pai, numa posição inteiramente distinta da posição de todas as coisas criadas.         Quem já parou para pensar em como é extraordinária a doutrina de Paulo sobre a divindade de Jesus Cristo, ao ponto de parecer que chegou a isto pela primeira vez? Aqui encontramos Jesus, um homem que viveu apenas alguns anos na Terra, tendo sofrido uma morte de vergonha. Ali encontramos Paulo, um contemporâneo de Jesus, mais tarde se tornando conhecido dos amigos mais íntimos do Senhor, reconhecendo em Cristo os atributos mais divinos e permanecendo numa posição de humildade, conforme todos  os homens devem se postar diante do seu Deus. Onde já se viu algo semelhante em toda a história da humanidade? Talvez alguém fosse tentado a afirmar que não foi esta a primeira vez que alguém atribuiu divindade a um homem.  Isso aconteceu na Roma antiga, com os imperadores, e no Oriente, com os monarcas. Mas, quem não consegue ver a enorme diferença? Os que deificavam os imperadores eram politeístas e, portanto, acreditavam em muitos deuses. Então, nada havia de extraordinário em que eles acreditassem em mais alguns deuses habitando a Terra e o Céu. Mas, ao contrário, Paulo era um monoteísta que acreditava em um só  Deus, o único Deus Criador do céu e da terra. Ele era um judeu e, como todos os judeus, era um monoteísta. Antes e após a conversão  a Cristo, Deus era a exata inspiração da vida de Paulo. De toda a sua alma ele odiava qualquer pensamento de outra divindade que não fosse o Deus de Israel, o qual era o Único Deus verdadeiro para ele.         Paulo aplicou a Jesus as passagens do Velho Testamento que falavam de Jeová, o Deus da aliança com Israel. Não existe coisa alguma parecida que supere a atribuição da divindade dada por Paulo ao homem Cristo Jesus. Não é de admirar que H. J. Holtzmann, talvez o mais hábil representante dos críticos do século 19 e início do século 20, tivesse admitido que a deificação do homem Jesus, conforme aparece nas epístolas de Paulo, não tem paralelo na história da raça humana (3).         Somente a ignorância pode explicar o desconhecimento de um fenômeno tão extraordinário. Mas, até agora, não mencionei a coisa mais surpreendente. Esta não é que Paulo acreditasse na divindade de Cristo, mas o fato de que ele jamais duvidou da mesma, tendo-a aceitado como a mais perfeita realidade. Houve debates, por exemplo, sobre o papel da Lei na obtenção da salvação, com os oponentes de Paulo, que apelaram a Pedro e aos apóstolos originais de Jesus contra Paulo; e assim mesmo esses apelos eram falsos. Os apóstolos originais estavam, realmente, a favor  de Paulo, contra os judaizantes. Mas, no que se refere à divindade de Cristo, nem mesmo os judaizantes se postaram contra Paulo. Ele deixa claro que até mesmo os seus oponentes estavam de acordo neste ponto.         Os amigos íntimos de Jesus - os que andaram com Ele, quando esteve na terra, tendo visto nEle as limitações da vida humana, conforme podemos deduzir nas epístolas de Paulo, concordam plenamente em suas visões sobre Cristo, considerando-O como Deus.         Quem foi esse Jesus exaltado ao trono de Deus Pai, não pelas gerações seguintes, mas pelos Seus próprios contemporâneos mais chegados? Os evangelhos dão a esta pergunta a única resposta digna de crédito. A descrição destes sobre Jesus não é diferente da descrição  de Paulo, conforme se deduz pelas suas epístolas.           Negar a verdade dos evangelhos sobre Jesus é como negar a origem da religião de Paulo. Tomá-la a sério é ver tudo claro . Os dois grandes testemunhos - o dos evangelhos e o de Paulo sobre Cristo - conduzem ao mesmo fim. E no final destes testemunhos está o Salvador de nossas almas. Resumo e adaptação do capítulo “The Testimony of Paul to Christ”, do trabalho – “On the Deity of Christ”, de J. Gresham Marchem.Mary Schultze, 06/09/2012 - maryonlybible.

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