Era costume antigo presentear regiamente os eleitores, após a realização de um conclave papal, contudo no século XV essa prática era mais que abusiva, em matéria de dinheiro, prendas e promessas de benefícios. Alexandre VI foi quem mais se destacou em matéria de corrupção, a fim de conseguir colocar a tiara em sua cabeça grisalha. Entre 1462 e 1471, nasceram-lhe três filhos ilegítimos: Pedro, Jerônimo e Isabela, de mães desconhecidas. Com Vanozza de Cattanei ele teve César, Juan, Jofre e Lucrécia.
Por causa de Lucrécia houve tanta confusão na família que no final Alexandre e seu filho César acabaram envenenados, vítimas de um complô. Lucrécia foi casada em primeiras núpcias com Giovanni Sforza, Senhor de Pesaro, depois com o Duque Alfonso de Bisceglie, mais tarde assassinado por seu irmão César. Finalmente ela casou com o Duque Alfonso de Este, sendo entronizada na corte de Ferrara. Dizem que o papa tinha uma paixão pecaminosa pela filha a ponto de ter-lhe confiado a sua representação na corte pontifícia. César Bórgia fez muitas guerras e cometeu os crimes mais repugnantes, tudo sob a complacência paterna.
Depois da morte de Vanozza, Alexandre se uniu uma jovem mulher casada, de 15 anos, chamado Giulia Farnese, e como presente de casamento concedeu ao irmão desta, Alejandro Farnese, o chapéu cardinalício.
O golpe de mestre de Alexandre VI a favor do Vaticano foi a conquista do direito a todas as terras e ilhas recém descobertas no Ocidente e também às que ainda fossem descobertas no futuro. Isso lhe valeu uma fortuna incalculável das Américas do Sul e Central, países católicos, dos quais ele se comportou como senhor absoluto, carreando para o Vaticano, através dos colonizadores católicos desses países que lhe eram sujeitos, muito ouro e pedras preciosas para a construção da Basílica de São Pedro e de outras catedrais famosas da Itália.
Os versos de Marcos 16:17-20 dizem o seguinte:
“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém”. (Marcos 16:17-20).
Para confirmar o seu apostolado, crente de que para ser um sucessor de Pedro, Alexandre, bem como todos os líderes da igreja de Alexandria da qual ele era um herdeiro espiritual, desejava ardentemente poder contar com as promessas acima feitas pelo Senhor Jesus Cristo aos seus apóstolos.
Dos inúmeros papas que iriam sucumbir através dos séculos vindouros, ele é um exemplo clássico. Eleito aos sessenta e um anos de idade, este contemporâneo de Colombo e Savanarola embarcou num reinado de onze anos de engrandecimento, adultério e assassinatos. Como fora previsto, “Sua Santidade” conseguiu uma escala ZERO no departamento de “sinais” prometidos por Jesus aos seus apóstolos.
Embora Alexandre preferisse “passar a mão” sobre as desnudas cortesãs que lhe entretinham os convidados para o jantar, não estava em condições de curar os dezessete membros de sua própria família e da corte, todos eles contaminados de sífilis. O único “falar em línguas” que ele exibia era um intermitente regresso à sua língua nativa - o espanhol, o que provocou um crescente motivo de suspeita aos seus súditos italianos.
Alexandre, como já foi dito, faleceu vítima de envenenamento. Seu cadáver fétido e inchado (evidência de veneno) teve dificuldade para caber no caixão encomendado.
Com respeito ao sinal apostólico do exorcismo de Alexandre, o único caso sugerido chegou até nós, através dos sardônicos “lamentadores” do Santo Padre. William Durant nos informa que “houve rumores adicionais de que um diabinho tinha sido visto no momento da morte, a fim de carregar a alma de Alexandre para o inferno”.
Quanto ao quinto e último sinal, não sabemos se Alexandre foi alguma vez picado de serpente. Estamos a par de que o piedoso hipócrita foi “elogiado”, pelo patriota Florentino Guicciardini declarando:
Toda a cidade de Roma correu com uma incrível alacridade e se apinhava ao redor do cadáver, na Igreja de S. Pedro, sem poder satisfazer a sua curiosidade diante da visão da serpente falecida, a qual, com a sua imoderada ambição, e detestável traição, com muitos exemplos de horrenda crueldade e monstruosa luxúria e colocando à venda todas as coisas sem distinção, tanto as sagradas como as profanas, havia intoxicado o mundo inteiro.
Mary Schultze
Citações dos livros “Final Authority”, do Dr. William P. Grady,
e “Los Papas”, de Josef Gelmi

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